Sobre Homens Bons e Homens Maus

30, out, 2019 | Artigos, Política, Religião | 0 Comentários

Por Fábio Lins Leite

Vendo um vídeo de Nando Moura sobre o professor Olavo de Carvalho concluo o seguinte: o problema é mais complexo do que ele, Nando Moura, é capaz de compreender moralmente, não intelectualmente.

Como ele mesmo diz, não consegue reconhecer no Olavo de hoje o autor dos livros que leu, e o professor das aulas do COF que assistiu. Isso se dá por ele ter atingido o limite de sua imaginação moral, e não por uma mudança real do professor. Nando Moura se põe a descrever a realidade, mas o que seu juízo lhe recomenda fazer a respeito dos dados coletados é absolutamente errado, e ele não consegue perceber que é precisamente nisso que ele diverge.

Explicando: o mal representado pela esquerda no geral e pelo Lula em particular é de uma desumanidade monstruosa, é um inferno na terra. Os pecadilhos políticos da direita, apontados com correção, representam, no mundo real, tal como ele é, um auxílio aos demônios. O puritanismo do Nando Moura não permite que ele compreenda homens como Davi, Sansão e tantos outros patriarcas do Antigo Testamento, ou mesmo apóstolos como Pedro. O que ele chama de “não aprendi a obedecer”, nada mais é que a presunção de só obedecer a alguém de moral perfeita, o que significa que não obedecer a ninguém, não seguir a ninguém e se opor a todos. O pai dessa revolta absoluta, sabemos quem é.

Sobre Homens Bons e Homens Maus

Todo ser humano realiza coisas boas e ruins. Todo ser humano tem virtudes e vícios, atos virtuosos e crimes. Todo, com exceção da Virgem Maria e de Nosso Senhor Jesus Cristo. Se o cara vai ser um santo, um grande rei, ou um pequeno anticristo ou ditador cruel não é a presença de imoralidades, desvios, ou virtudes e atos bons que determinam isso, mas o telos pelo qual orienta sua vida. Os bons cometerão atos maus, e os maus cometerão atos bons quase que igualmente. E para a vitória do mal basta que os maus encontrem quem os apoie por seus atos bons e quem lute contra os bons por seus atos maus. É a isso que o Nando Moura está se prestando: está combatendo os bons por seus atos maus e com isso enfraquecendo os únicos que estão posicionados para lutar contra os maus. Falta-lhe inclusive o senso de proporções para perceber que os atos maus dos homens bons são muito menores do que o fim perverso a que os maus têm se entregue.

O rei Davi não é bom porque cometeu adultério e ainda por cima matou para fazê-lo. Sansão por um rabo-de-saia entregou seu povo. Pedro foi traíra. Abraão ofereceu a esposa ao faraó, Isaac não tinha iniciativa pra nada e ia com a onda, Jacó enganou o irmão e o pai cego e doente para roubar a herança, José era vingativo, Salomão tinha centenas de concubinas e praticou sincretismo e idolatria.

Qualquer um poderia se sentir muito bem enumerando os pecados desses homens. Poderia dizer que não segue fornicadores, assassinos ou idólatras. E estaria pecando mais do que eles por isso.

Nando Moura deve continuar, sim, descrevendo a realidade tal como a vê e tal como ela é, mas deve aprender a ser inteligente como a serpente e usar isso a favor do bem e não contra. No momento, sem o o saber, ele age contra o bem, ele está a favor do Lula, do PT e da esquerda, por mais que não acredite nisso. O melhor seria alinhar-se às pessoas que estão do lado do bem, e falar-lhes em particular, como ele mesmo diz ter feito em ligação do Eduardo Bolsonaro. Tudo de negativo tem que ser dito em particular. Ou ele descobrirá que inclusive as virtudes podem levar as pessoas ao inferno.

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Detalhes do autor

Fábio Lins Leite

Nasceu no Rio de Janeiro. É professor de inglês e tradutor. Pós-graduou-se em teologia ortodoxa no Hellenic College Holy Cross, nos Estados Unidos.

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