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Conceito de Conservadorismo

Conceito de Conservadorismo

por João Camilo de Oliveira Torres.

Não é fácil definir o que seja o conservadorismo, antes um “estado de espírito” do que um sistema racionalmente fundado, o mesmo, aliás, sendo lícito dizer-se das posições que lhe são opostas. Muitos autores já o estudaram e tentaram fixar em vários itens, descritivos da situação conservadora, mas que, dificilmente, fixam a devida posição. Se Hearnshaw aponta 12 itens na sua definição de conservadorismo, Kirk, que escreveu todo um livro sobre o espírito conservador, fixa em 6 pontos a sua descrição do conservative mind: a) crença numa ordem divina para a sociedade e para a consciência; b) valorização da variedade e colorido na vida tradicional; c) reconhecimento da legitimidade da existência de classes e hierarquias sociais; d) convicção de que propriedade e liberdade estão intimamente ligadas; e) tradicionalismo; f) distinção entre “mudança” e “reforma”, ou, talvez, para ficarmos mais de acordo com o vocabulário brasileiro, entre “revolução e “reforma”.

Poderíamos definir o conservadorismo do seguinte modo: é uma posição política que reconhece que a existência das comunidades está sujeita a determinadas condições e que as mudanças sociais, para serem justas e válidas, não podem quebrar a continuidade entre o passado e o futuro. Podemos dizer que o traço mais característico da psicologia conservadora consiste, exatamente, no fato de que não considera viáveis as transformações e mudanças feitas sem o sentido de continuidade histórica — mais: o conservador acha impraticáveis e condenadas ao suicídio todas as reformas fundadas unicamente na vontade humana, sem respeito às condições preexistentes. Podemos reformar — por meio de um processo de cautelosa adaptação do existente às novas condições — e nunca pelo estabelecimento de algo radicalmente novo. Os autores costumam distinguir várias modalidades de conservadorismo, conforme o fez, com inteligência e acuidade, o sr. Alceu Amoroso Lima,4 em ensaio recente. Acreditamos ser mais simples distinguir o conservadorismo de posições que lhe são aparentadas. Temos, primeiramente, o imobilismo social ou político. É uma posição que não aceita qualquer espécie de mudança, que pretende que a situação atual se mantenha sem qualquer modificação. As pessoas vítimas do imobilismo negam o tempo — e reagem a qualquer mudança, mesmo para melhor, mesmo inócuas. Os imobilistas, por exemplo, recebem desfavoravelmente transformações perfeitamente legítimas ou inovações benéficas — sejam máquinas novas ou um diferente sistema ortográfico. Certamente o imobilismo absoluto é impensável — mas há muita gente que recebe, sempre mal, qualquer inovação, valiosa ou não. Em segundo lugar, temos o reacionarismo: o reacionário nega o tempo, igualmente, e de maneira mais radical do que o imobilista, pois pretende que ele reflua: quer que o rio volte à fonte, que a árvore retorne à condição de semente. Condenando as transformações ocorridas numa determinada época recente, como se a História pudesse ser vítima de condenação, como se a História não fosse, pela própria condição humana, essencialmente ambígua, isto é, havendo, sempre, bem e mal em todas 4 Inicialmente conservador, Alceu Amoroso Lima (1893–1983), o Tristão de Athayde, teve, ao longo do século XX, importante presença no cenário intelectual brasileiro, acumulando as direções do Centro D. Vital e da revista católica A Ordem. Crítico literário e escritor, Alceu foi também líder do laicato católico no projeto de recatolização do Brasil. O contato com o neotomismo de Jacques Maritain marcou definitivamente o seu pensamento, distanciando-o cada vez mais das posições conservadoras e inclinando-o para as hostes progressistas.

Este é um pequeno trecho do livro O ELOGIO DO CONSERVADORISMO

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