Rússia consolida controle sobre a Ucrânia e prepara mísseis nucleares

4, mar, 2022 | Artigos | 2 Comentários

Artigo publicado originariamente no blog do autor.

Por Jeffrey Nyquist

Seis semanas depois de se tornar ministro da Defesa da Rússia, o general Pavel Grachev dirigiu-se a uma reunião da OTAN em junho de 1992 em Bruxelas, onde definiu a esfera de interesse da Rússia como abrangendo todas as ‘ex-repúblicas da URSS com as quais compartilhava fronteiras territoriais’ e afirmou que a Rússia ‘tinha todo o direito “intervir” unilateralmente nesses territórios. Posteriormente, a Rússia empregou tropas em todo o Cáucaso, ‘assinou tratados de base com a Armênia e a Geórgia’ e ‘colocou tropas de fronteira ao longo de grande parte do antigo perímetro soviético’.

LAWRENCE KOHN, “RUSSIA’S TURKISH TARGET”

A Rússia está colocando suas Forças de Mísseis Estratégicos em plena prontidão. A Rússia vai recrutar médicos nas próximas semanas. A Rússia se preparou para enterros em massa em antecipação a um número catastrófico de vítimas. O que está acontecendo aqui? Em meio a tudo isso, temos observadores ocidentais sugerindo que Putin fracassou. Um analista, citando uma fonte da TASS, escreveu: “O presidente russo Putin está bastante desapontado com o progresso da operação militar na Ucrânia”.

Talvez essa decepção venha do fato de que Putin uma vez se gabou de que poderia tomar Kiev e cinco capitais da OTAN em 48 horas. Bem, nem mesmo os ditadores podem estar certos sobre tudo. Além disso, o clima não tem sido totalmente favorável aos invasores.

No entanto, um breve comentário convém. Putin está realmente desapontado? Devemos acreditar nas fontes da TASS? — aquela fonte sempre honesta e confiável de notícias e informações? Claro, o Ocidente está ansioso para retratar Putin como desesperado. E por que não incentivá-los? Eu poderia. Afinal, os mesmos burocratas que agora declaram a invasão um fracasso, os mesmos que queriam jogar “a cartada da Rússia” contra a China, os mesmos que diziam que não haveria invasão, não mudaram de fato a sua interpretação geral. Sempre, a Rússia é atrasada e estúpida, e a ameaça pode ser minimizada. É como uma doença mental que aflige os americanos. É o conceito de invulnerabilidade, um conceito com o qual estou muito familiarizado. É uma presunção militante, espontânea e irrefletida.

Em momentos como esses, como disse um leitor, costumamos confundir a floresta com as árvores. Há um contexto estratégico maior para os movimentos atuais de Moscou. Alguém se lembra disso? Ou alguém percebeu? Vimos um infeliz artigo publicado pelo Center for Security Policy, escrito pelo ex-assessor de Putin, Andrei Illarionov. O artigo foi publicado em 15 de fevereiro e sob o título “Não haverá uma grande guerra tão cedo”. De acordo com Illarionov, as forças russas eram inadequadas para uma invasão e o acúmulo de tropas era “uma operação psicológica”. Como Illarionov pôde estar tão errado? Porque sua análise não levou em conta o contexto completo dessa mobilização militar. 

Leia gratuitamente uma amostra do livro “As mentiras em que acreditamos: China, Rússia e a revolução comunista nos EUA”, de Jeffrey Nyquist. 

Então, vamos apresentar esse contexto: — (1) uma pandemia viral foi desencadeada há dois anos por um aliado da Rússia, a China; (2) distúrbios comunistas ocorreram em cidades americanas nas quais estátuas de George Washington, Ulisses Grant e Teddy Roosevelt foram derrubadas; (3) seguiu-se uma eleição sem precedentes envolvendo acusações de fraude sistemática; (4) está estabelecido na América um governo de esquerda radical sob a fachada senil de Joe Biden; (5) então vieram medidas divisivas de obrigatoriedade vacinal, veio o fiasco do sistema de saúde (e de todo o sistema de defesa contra guerra biológica).

Dito de outra forma, somos governados por uma elite ocidental que avança visivelmente em direção ao autoritarismo de esquerda e à censura da liberdade de expressão etc. Então, a partir da Rússia, ocorre uma invasão para reverter a queda da União Soviética. Volte e ouça o discurso desconexo de Putin na segunda-feira. A dissolução da URSS, disse ele, era ilegal. E assim, afirmo que Putin está em completa sintonia com seus parceiros ocidentais. No entanto, eles o estão denunciando. E eles vão se aproveitar da agressão de Putin, assim como usaram o COVID. Esse é o contexto da invasão da Ucrânia.

Agora vamos ampliar esse contexto e observar quem são os aliados de Putin. Coréia do Norte, China, Cuba, Venezuela, Nicarágua, Vietnã, etc. Todos são países comunistas. Além disso, afirmo que a guerra sempre foi a intenção de Putin, assim como sempre esteve nos lábios de seus amigos comunistas. A surpresa estratégica é alcançada indiretamente, fazendo com que seu oponente entenda mal seus objetivos e métodos. Nossos especialistas têm entendido Putin errado, repetidas vezes, porque se recusam a ver quem ele é.

Putin vem trabalhando para tornar sua economia à prova de sanções há muito tempo. Agora sabemos que a China armazenou uma enorme quantidade de grãos. O que isso nos diz? Isso significa que eles estão se preparando para a guerra. Isso significa que eles estão se preparando há muito, muito tempo.

A pergunta que não queremos fazer é: o que essas antigas potências comunistas têm feito? O que seus amigos socialistas no Ocidente têm feito? Os fatos sugerem que tudo aqui está conectado. Este movimento militar na Ucrânia não é uma exceção. Não é um passo em falso. É a base para algo mais. Putin está nesse caminho desde o início. Esta invasão não é um evento autônomo. E nosso próprio governo talvez seja liderado por pessoas que estiveram mais próximas de Putin do que imaginamos – mas o tempo todo apontavam o dedo para Donald Trump.

Contar com uma liderança estratégica americana corrupta, talvez traidora, pode ser o último detalhe contextual que estamos perdendo. E assim, a maior manobra de todas pode estar logo ali. Mas quem ainda enxerga alguma coisa? A cada passo somos sempre surpreendidos.

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Detalhes do autor

Autor Aldo Maria Valli

Jeffrey Nyquist

Jeffrey Nyquist é um analista político americano e pesquisador independente, especialista em estratégias de subversão comunista e armas de destruição em massa. Já publicou milhares de artigos em importantes sites ao longo das últimas duas décadas. Mantém o blog pessoal www.jrnyquist.blog. É autor dos livros Origins of the Fourth World War e O Tolo e Seu Inimigo.