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O Feminismo do Socialismo Real

O Feminismo do Socialismo Real

Por Agustín Laje, escritor e analista político argentino.

Trecho de O Livro Negro da Nova Esquerda (Danúbio, 2018)

Antes de abordar a terceira onda do feminismo, queremos dedicar uma parte deste capítulo à implementação das idéias feministas engendradas pelo marxismo, e postas em prática com a experiência da União Soviética a partir de 1917. Com efeito, se a propriedade privada foi a origem do patriarcado, a progressiva abolição do regime econômico de propriedades deveria ter produzido a tão anunciada “libertação da mulher”, como de fato a propaganda soviética quis que o mundo livre acreditasse estar realmente acontecendo.

Com o tempo, viríamos a saber que tal libertação não foi senão mais uma mentira entre tantas outras que o comunismo nos contara. E quem melhor expôs essa mentira foram um pai e um filho soviéticos, médicos especializados em sexologia, ex-membros do Partido Comunista, que levaram adiante um amplo trabalho sociológico-sexológico que lhes valeu vários anos no campo de concentração, trabalhos forçados e posterior exílio. Nos referimos aos doutores Mikhail e August Stern.

O que ocorreu na URSS pode dividir-se em duas etapas: uma de abertura e niilismo, que ganha força na década de 1920, pouco depois do triunfo da Revolução; e uma outra etapa de puritanismo e reação, na qual, mediante todos os meios existentes e por existir, tentou-se reverter os efeitos sociais nocivos vistos após o período de relaxamento moral.

A etapa de abertura foi, entre outras coisas, o resultado de fazer do amor algo puramente “fisiológico”. Em uma palavra, buscou-se tirar do amor qualquer traço espiritual e moral. Kollontai, por exemplo, em um ensaio intitulado Um lugar para o Eros alado instigava a realização dos atos sexuais “como um ato similar a qualquer outro, a fim de satisfazer necessidades biológicas que só são um estorvo, e que temos que suprimir tendo em vista o essencial: que tais atos não interfiram na atividade revolucionária”.[1] A protagonista do romance O amor de três gerações, de Kollontai, esboçava: “Ao meu juízo, a atividade sexual é uma simples necessidade física. Mudo de amante conforme meu humor. Neste momento, estou grávida, porém não sei quem é o pai de meu futuro filho, mas isto dá na mesma”.

Existe um “decreto” da época, da cidade de Vladmir (houve outro similar em Saratov), que propunha uma “socialização das mulheres”, e que ilustra bem o tipo de mentalidade que o socialismo gerou: “A partir dos dezoito anos de idade, fica declarado que toda mulher é propriedade estatal. Toda mulher que alcance a idade de dezoito anos e que não seja casada está obrigada, sob pena de denúncias e castigos severos, a inscrever-se em um centro de ‘amor livre’. Uma vez inscrita, a mulher tem direito de escolher um marido entre dezenove e cinqüenta anos. Os homens também têm direito de escolher uma mulher que tenha chegado à idade de dezoito anos, supondo que tenham provas que confirmem sua condição de proletário. Para aqueles que quiserem, a escolha do marido ou da esposa pode dar-se uma vez ao mês. Por interesse do Estado, os homens entre dezenove e cinqüenta anos têm direito a escolher mulheres inscritas no centro, sem que precisem do assentimento destas. Os filhos que sejam fruto desse tipo de convivência tornar-se-ão propriedade da república”.[2]

[1] Publicado na revista La Joven Guardia, N° 10, 1923.

[2] Citado em Stern, Mijail. Stern, August. La vida sexual en la Unión Soviética. Espanha, Bruguera, 1980, pp. 42-43.

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