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Convertidos Literários

Convertidos Literários

Prefácio do livro CONVERTIDOS LITERÁRIOS (Danúbio, 2016), de Joseph Pearce.

EM 1905 , o jovem G. K. Chesterton publicou Hereges , volume de ensaios em que precocemente criticava vários de seus contemporâneos, com destaque para Shaw e Wells. Em resposta, um crítico declarou que o autor não deveria condenar as “heresias” alheias sem antes expor sua própria “ortodoxia”. Chesterton aceitou a crítica e lançou-se ao desafio. Em 1908 vinha a lume Ortodoxia , assentado sobre uma premissa central: a de que não há melhor forma de explicar os mistérios mais profundos da vida e da existência humana do que à luz do Credo dos Apóstolos.

Chesterton “assumir-se” cristão foi de um impacto tremendo, de influência semelhante à cândida confissão de ortodoxia por Newmani, mais de meio século antes. Tratava-se, em muitos sentidos, do prenúncio de um renascimento literário cristão, que, estendendo-se por todo o século XX, representou uma evocativa resposta intelectual e artística ao agnosticismo reinante. A Dra. Barbara Reynolds, estudiosa de Dante e biógrafa de Dorothy L. Sayers, descreveu esse renascimento literário como “uma rede de mentes energizando-se umas às outras”. Além de Chesterton, seus principais protagonistas foram T. S. Eliot, C. S. Lewis, Siegfried Sassoon, J. R. R. Tolkien, Hilaire Belloc, Charles Williams, R. H. Benson, Ronald Knox, Edith Sitwell, Roy Campbell, Maurice Baring, Evelyn Waugh, Graham Greene, Muriel Spark, Dorothy L. Sayers, Alfred Noyes, Compton Mackenzie, David Jones, Christopher Dawson, Malcolm Muggeridge, R. S.Thomas e George Mackay Brown. Sua influência extrapolou em muito o âmbito da literatura. Alec Guiness, Ernest Milton e Robert Speaight foram algumas das figuras do teatro cujas vidas se entremesclaram com as de seus contemporâneos cristãos das letras.

A publicação da encíclica papal Rerum Novarum ii , em 1891, teve profunda influência sobre Belloc e, por intermédio deste, sobre Chesterton. Isto assegurou ao renascimento literário cristão uma dimensão política. Ao socialismo de Shaw e Wells, Belloc e Chesterton contrapuseram a doutrina social da Igreja, que denominaram “distributivismo”. Eric Gill tratou de botar em prática o distributivismo esposado por Belloc e Chesterton, enquanto E. F. Schumacher o popularizou, em fins da década de 1970, com seu popularíssimo Small is Beautiful iii . Assim como a mescla de filosofia nietzschiana e socialismo marxista colore e caracteriza a obra literária de Shaw, a mistura de teologia cristã e o preceito da “beleza do pequeno”, propugnado pela Igreja, vieram a colorir e caracterizar boa parte das obras do renascimento literário cristão. Tomada como um todo, essa rede de mentes representou uma pujante resposta cristã à era da descrença. Produziu algumas das grandes obras-primas literárias do século e permanece um duradouro testemunho do poder criativo da fé. A história da profunda influência que esses gigantes da literatura exerceram entre si e sobre a época em que viveram é mais que o estudo de um importante aspecto da literatura do século XX: é uma história de aventura, em que crença e descrença se chocam em colisão criativa.

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